sábado, 16 de junho de 2007

As vozes a uma só nota

Nesse final de semana, dias 9 e 10 de Junho, tive a oportunidade de ir ao Rio de Janeiro com meu amigo Gabriel Mendes para assistir o ultimo show da banda Los Hermanos antes de seu recesso por tempo indeterminado. Por um lado estava muito empolgado por ser o primeiro show que iria da banda, talvez o ultimo. Por outro receava em relação à qualidade da apresentação e pela guerra civil que passa aquele estado.

Pois bem, dúvidas a parte, fui de “mala e cuia”. Chegando à cidade, ainda na estrada, reparei como a pobreza predomina naquele lugar; periferias e favelas por toda parte, não muito diferente de alguns bairros de São Paulo, mas numa proporção muito maior, já que o Rio tem um espaço inferior. No centro da cidade há dezenas de imóveis históricos, alguns, aparentemente, com mais de cem anos. A maioria com a seguinte característica em comum: o abandono.

Não quero que pensem que estou criticando ou desmerecendo o Rio de Janeiro. Lógico que a cidade é rica em beleza, praias maravilhosas, vistas deslumbrantes que infelizmente ainda não tive a oportunidade de conhecer. Estou apenas falando como é o lado de traz do Corcovado, onde a Globo evita mostrar. Alem disso não posso deixar de citar a hospitalidade do povo carioca; todos prestativos, simpáticos e solidários. Isso é incontestável.

Apesar dos comentários feitos sobre a cidade, quero mesmo é falar sobre o show. E que show!
Levados pela duvida sobre o término da banda, pessoas de todas as regiões do país lotaram a casa Fundição Progresso na Lapa, centro do Rio, para assistir os Hermanos tocarem.

Quatro horas antes do inicio, cheguei com o Gabriel para retirar os ingressos na bilheteria. Naquele momento dezenas de pessoas já estavam na fila cantando e dançando as musicas da banda. Uma verdadeira confraternização. Ao esperar os portões serem abertos, conhecemos pessoas de Minas Gerais, Santa Catarina, Pernambuco, São Paulo e do próprio Rio. Conversávamos com se já havíamos nos conhecido há tempos.

Enquanto falava com essas pessoas, refleti um minuto sobre o poder que a música tem de unir povos de credo, cor e ideologias distintas. Apenas pelo gosto musical em comum, todos aqueles jovens que ali estavam, criaram um vinculo de amizade e união. São atitudes aparentemente insignificantes que passam despercebidas como o vento. Agora, a partir desse pensamento e indo para o contexto social, fiz-me uma pergunta: Por que vivemos em guerra? A resposta veio a seguir: Porque primeiro procuramos as diferenças e omitimos todo o resto. Pois é, nesse mundo de discordâncias é que vivemos.

Duas horas depois, os portões se abriram, a platéia entrou. Muitos correndo, outros mais contidos, porém não escondiam a felicidade por estar ali. Foram mais duas horas de apreensão dentro da casa até que os músicos subiram ao ponto mais alto. Quietos, como se estivessem se despedindo de sua família. Mesmo assim os fãs aplaudiam e gritavam incessantemente.

Começaram o show com uma musica bem calma, quase imperceptível perante a euforia dos que cantavam e se emocionavam com os acordes tocados. As cinco mil vozes e corações agitavam-se sem nenhum controle. Aqueles que haviam subido ao palco contidos, agora se pegam sorrindo e dançando - mesmo “desengonsadamente” - com os espectadores. Em alguns momentos mal dava pra escutar a voz do Marcelo Camelo ou do Amarante tamanho era o volume das vozes da platéia. No final do show os Hermanos apresentaram todos que estiveram com eles durante esses dez anos de carreira. Foi um show emocionante, dificilmente assistirei outro melhor.

Tive a idéia de escrever esse texto com a intenção de mostrar para os leitores uma experiência maravilhosa que tive e principalmente mostra-los como coisas pequenas, no caso a musica, podem unir as pessoas que ao menos se conhecem. A partir desses atos aparentemente insignificantes, podemos promover a paz e unirmos para um mundo melhor.

12 comentários:

Giovanna disse...

Não tem como não gostar de um texto assim. Concerteza foi uma experiência maravilhosa mesmo

Bjaum
Gi

Gabriel mineiro disse...

Cada vez mais supreendido...

Nunca imaginei que eu, mineiro, no Rio, iria conhecer um paulista escritor(e que escritor!) na fila de um show(histórico!), acompanhado de um cara com o mesmo nome que eu, e que ainda por cima soube descrever o que eu não consegui explicar a ninguém em uma semana!!

Texto perfeito, realista, emocionante, e já faz parte da minha história de vida... assim como aquele show...

Ateh a próxima Fabricio!
abração aew Paulista!!!

Marysol disse...

Que show!!
Inesquecível!!
"o bloco da família" reunido foi lindo!
O descaso com a cidade é muito grande, concordo...mas vamos ver se agora com o pan algo melhora!!
Beijossss e lindo o texto paulista!

chem-chaminee disse...

otimo texto! creio que descreve a sensação que todos nós que esvamos no show tivemos.
beeeijos!

Juliana disse...

texto muito bom mesmo! Esse show com certeza foi inesquecível... eu que não estava lá, imagino...

Gustavo, o mineiro da fila disse...

Poxa descreveu perfeitamente o fato, eu o outro mineiro que você conheceu na fila irmão do gabriel que tem o mesmo nome do seu amigo, ficou emocionado ao ler, e deslumbrado pelo fato de um cachaceiro escrever tão bem!!! rsrsrsrsrs
Zuação cara, se eu gostaei de ter te conhecido, depois deste texto tenho orgulho...Parabéns!!!

Anônimo disse...

É VÍRUS!
É VÍRUS!

Vandré disse...

E ae Fabricio... Comentar sobre esse assunto é meio complexo sem estar lá. Mas quero chamar a atenção pra duas coisas:
1° - no texto foi falado muito sobre desigualdades, paz, e, logicamente música. Não quero me referir a nenhuma banda ou músico, mas acho que falta aos compositores e as bandas abordarem mais assuntos ligados à sociedade e parar de fazer uma música comercial. Porque, na minha opinião, únir é legal e importante, mas concientizar é essencial!
2° - cara, você está escrevendo muito bem! Continue assim...

Gustavo :: ovatsuG disse...

Muito bom o texto. Pelo que pude ver em alguns vídeos e áudios do show, realmente foi emocionante e marcante.
Posso dizer que fui um felizardo em poder assistir a última apresentação da banda fora do estado natal dela e ainda por cima nas primeiras horas do ano novo, que trouxe-me muitas alegrias, tristezas, euforias e decepções...
Parabéns pelo blog.

Guilherme Vieira disse...

ótimo texto mlk!!!
vc descreveu um pouco da sensação q eu tbm senti no show do dia 7!!!
Ao ver a galera toda cantando junto com eles, fiquei muito emocionado.
Ja fui a varios shows deles + esses ultimos foram os melhores sem duvida, só espero que não sejam os ultimos!

Abração

Gui!

eduardo carli disse...

Olá, Fabrício! Valeu pela visita ao meu blog e pelos elogios. Bacana o teu texto, descreveu bem as sensações que quase todo mundo teve nesses shows de despedida dos Hermanos... É realmente incrível como todas as diferenças entre as pessoas são meio que "apagadas" pela música e todo mundo se transforma num só organismo pulsando junto, cantando junto, adorando a banda junto... Existem poucas sensações melhores no mundo. Los Hermanos deixa saudade... =)

Qto à tua questão sobre a postagem dos vídeos do You Tube direto no blog, eu faço assim: lá no próprio site do You Tube há um recurso chamado "Post Video" (é um botãozinho debaixo do "Share Video") que automaticamente cria pra você, dentro do Blogger, um post contendo o vídeo da sua escolha. Você só precisa cadastrar seu blog lá - é super simples... Depois de apertar esse "Post Video" em qquer vídeo q vc queira postar, é só você entrar nesse post pelo Blogger e editá-lo, se quiser... Espero q tenha ajudado! Qquer coisa, é só me perguntar q eu explico melhor, ok? =)

Bom, por hj é só! Voltarei mais vezes aqui... Té mais!

Anônimo disse...

Que engraçado, você viu que o texto sobre o Show foi maior que os outros?
Por que será?
Muito bom !
Beijos
Cacilda