domingo, 11 de maio de 2008

Dia das Mães

Quando eu ando um pouco sensibilizado com algo, sei lá, seja algum desentendimento em casa, por alguma nota baixa no simulado ou por algum amor não correspondido, eu me emociono por qualquer coisa.

Essas semanas que agregaram os últimos dias de abril e os primeiros de maio ocorreu (e ainda ocorre) o que eu costumo chamar de amplitude térmica amorosa. Em outras palavras, o fato é que em poucos dias eu me apeguei muito a uma garota, sendo, nos primeiros, a recíproca verdadeira; mas acontece que nos últimos as coisas têm mudado bastante. Resumindo: ela sumiu (como sempre acontece) e quando aparece “seus olhos não brilham mais”. Mas acho melhor já ir me acostumando com isso, pois pelo que parece, isso não irá mudar.

Juntando esse pranto silencioso ao desespero de um vestibulando, eu tenho passado esses dias muito mal e melancólico, escutando músicas com melodias tristes e letras mais ainda. De todo jeito eu tento disfarçar com um sorriso todo esse sentimento que costuma nos pôr pra baixo. Mas enfim...



Hoje de manhã, quando voltava da casa de um amigão meu, depois de ter dormido lá porque ocorrera seu aniversário no dia anterior, peguei o trem na estação do Jaraguá sentido Luz. Pensava em chegar logo em casa pra abraçar a dona Neuma e desejá-la um feliz dia das mães e pegar o meu celular (que tinha esquecido) pra ver se não tinha nenhuma mensagem do Líbano.

Pois bem, enquanto a “lata de sardinha” oferecida pelo nosso querido Estado que se preocupa muito com o bem-estar do povão que mora nas sub-periferias da cidade de São Paulo deslizava pelos trilhos, passou um rapaz que aparentava ter uns vinte anos de idade; sem uma das pernas e a outra defeituosa. Estava sendo empurrado numa cadeira de rodas pelo vagão a fora por outro cara e entregava pedaços de papel que, escrito neles, palavras pediam uma contribuição de dez centavos. Peguei um deles,o li, abri minha carteira e apanhei algumas moedas.

Junto a mim, um senhor bem acabado, mal vestido, com uma cara sofrida e surrada pela vida, também separou algumas moedas, e bem graúdas por sinal. Na volta, o pedinte passou recolhendo as contribuições. Tomou a minha, agradeceu-me e foi de encontro ao senhor citado. Este abriu um sorriso àquele e deu o dinheiro com o peito cheio de ar e alegria. Eu, vendo aquilo, não agüentei a emoção e comecei a chorar baixinho, só pra mim, dando, portanto, sentido às minhas palavras do primeiro parágrafo desse texto.

Refleti uns segundos. Achei aquilo tão lindo, grandioso, magnífico e honroso que eu quase levantei e fui dar um abraço naquele homem. Pensei logo nas pessoas que são culpadas pelo caos social no nosso país, que jorram moedas e dólares pelos orifícios dos seus corpos e que não teriam a bondade e compreensão que teve esse senhor. Tenho quase certeza que esse dinheiro ia fazer falta a ele, mas iria fazer muito bem ao rapaz da cadeira de rodas, e ele pensou nisso. Disso tudo eu cheguei à conclusão que agente precisa ter um pouco mais de amor e compaixão pelas pessoas, sermos menos individualistas e pararmos de tratar as pessoas como se elas fossem descartáveis.

Após o ocorrido, parei de ler as crônicas libanesas, apanhei minha lapiseira 0.7, minha borracha suja e comecei a escrever esse texto. Desci na estação de Osasco com ele semi-pronto, esperei alguns minutos o Bigode chegar. Concluí mais algumas coisas no carro. Chegando em casa, fui ao vizinho, apanhei algumas flores, depois fui até à mamãe, entreguei-lhe as flores, dei um abração carinhoso, choroso e agradecido por tudo. Corri direto pro quarto, peguei o celular: não tinha nenhuma mensagem. Senti-me um pedinte que não recebe esmolas. Terminei o texto, terminou o meu dia.

Frase do dia: “O amor não prospera em corações que se amedrontam com as sombras.” (William Shakespeare)

4 comentários:

Eu, sou eu! disse...

Essa pressão de vest já passou...
Ainda bem, sobrevivi!

Sei que nessa parte da vida, tudo se torna mais forte, todas as pequenas emoções parecem enormes e explodem facilmente.

Atitudes dessas como a sua e o do tal senhor, mudariam o mundo se fossem realizadas com mais frequencia!

Abraço e boa sorte no vest!

Raquel disse...

ai que lindo! tb fico chorosa qndo tdas essas coisas acontecem.. e viagens de trem sao otimas para espairecer. To apaixonada pelos seus textos, eu como uma futura jornalista deveria fazer um blog tb. Pensarei a respeito!
Seus textos são tipo crônicas, eu amo crônicas!
beijos
p.s.: ajudar pessoas é uma das minhas metas[como ser uma pessoa melhor] do ano, mais precisamente ajudar artistas, como musicos, poetas etc!

min disse...

Sei exatamente como é essa sensação de "quando aparece
'seus olhos não brilham mais'"! E não sei se devemos nos acostumar a isso!=S Pelo menos não quero!Não quero que ocorra nunca mais (embora pareça muito utópico quero continuar pensanso assim ¬¬).
E, nossa, me emocionei aqui com a história da "lata de sardinha", essa sensação de ajudar o
próximo é muito boa, uma sensação que não tem preço!
E achei muito fofo o presente de dia das mães =)

bjo fá!=*

disse...

acho que estou presenciando um de seus momentos melancolicos, e espero estar ajudando um poquinho eles!