sexta-feira, 21 de setembro de 2007

Uma Visitinha Inusitada

Era aula de literatura com o professor Roberto Juliano. Discutíamos a segunda fase do Modernismo, mais precisamente sobre um famoso poema do escritor Carlos Drummond Andrade chamado No Meio do Caminho. Aquele que diz: “No meio do caminho havia uma pedra, havia uma pedra no caminho (...)”. Confesso que nunca parei para analisar esses versos, mas após as explicações do mestre, fui ligando os pontos e consegui concluir algumas coisas. Depois de um tempo lendo e relendo este, abriu-se um “leque de opções” para que eu pudesse viajar nesse mundo louco das palavras. Um dos meus pontos de vista foi o fato da “pedra no caminho” ser os acontecimentos marcantes do nosso dia-a-dia, eventos que dificilmente ocorrem, mas quando ocorrem, ficam guardados por toda a vida ou até quando a memória estiver por perto. Com tudo isso, lembrei-me de um fato memorável que acontecera comigo dias antes desta aula: os papagaios encima da câmera de transito na Avenida Ermano Marchetti, na Lapa.

Ainda não havia passado das sete horas da manhã e os carros já preenchiam todas as faixa da avenida com suas carruagens de plástico e seu silêncio barulhento. Enfim, sempre que vou atravessar aquela avenida, olho o céu para saber se o dia será ensolarado ou nublado; aquele dia não foi diferente. Porém, quando olhei para o alto, tive a surpresa: eram três, verdinhos e perdidos como “cego em tiroteio”; longe dos galhos e folhas que os acolhem quando mais precisam, pareciam desesperados com aqueles objetos correndo rapidamente embaixo deles, com medo das formigas gigantes desviando umas das outras pela calçada a fora e daquelas muralhas de concreto por toda parte.


Vendo aquela cena, perguntei-me: o que será que essas criaturas fazem aqui? Pensei que decerto fugiram do Jardim Zoológico ou fugiram do domínio de algum seqüestrador de animais. Ao mesmo tempo em que deu uma tristeza vê-los fora de seu habitat natural, tive um sentimento de liberdade, independência; fez-me lembrar de quando ia pra casa dos meus avós para subir na mangueira e nadar nas límpidas águas do açude do finado Chico de Matias.

Refletindo sobre essa ocorrência, vi como a urbanização é inversamente proporcional à natureza; enquanto uma cresce desordenadamente, a outra desaparece numa velocidade extraordinária. Por exemplo, a Mata Atlântica localizada na porção leste do Brasil, tem hoje 7,3% da sua vegetação original, sendo que em alguns Estados quase não existe mais devido o desmatamento que essas áreas estão sendo expostas. Isso sem contar a Floresta Amazônica, antes considerada o pulmão do mundo, que está sendo substituída por pastagens com a intenção de abrigar vacas emissoras de gás metano (CH4) e para as plantações de soja (a mais nova monocultura brasileira), que aqui entre nós, servem para alimentar o mundo inteiro, mas para os brasileiros... O RESTO! Mas isso é um assunto pra outra ocasião. Enfim, quem mais sofre com toda essa degradação são os animais nativos desses locais que são obrigados a se acostumar com os seus novos “lares” de cimento. Estão ai as explicações para o aumento aparente desses animais no nosso cotidiano; com a diminuição das áreas verdes, estes “se viram” como podem. Já bastavam as capivaras dos rios Tietê e Pinheiros (SP), os macacos equilibristas nos fios de alta tensão em Copacabana e Ipanema (RJ), agora são os papagaios da Lapa (SP).

O pior de tudo é saber que tem pouca gente se importando com isso e que esses fatores não serão revertidos tão cedo. A tendência é aumentar cada vez mais os desmatamentos, queimadas, transposições de rios, o que fará com que esses acontecimentos se tornem normais. Lamento também que só “acordaremos” depois que essa situação for irreversível. Se você puder fazer algo para mudar essa realidade, o faça, pois nossos filhos e filhas precisarão dessa nossa consciência. Agora, se você não se importa com nada disso, PREPARE-SE, o BBB 8 já esta com as inscrições abertas!

quarta-feira, 12 de setembro de 2007

Os (quase) Invencíveis


Tenho direcionado algumas de minhas atenções para uma classe de trabalhadores conhecida como: operadores de tele marketing. Famosos por seu gerundismo minuciosamente ensaiado, aqueles do tipo: “Não se preocupe que, em sete dias úteis, algum de nossos atendentes estará entrando em contato com o senhor.” É quase impossível passar uma semana sem falar com um deles, seja para cobrar algum serviço ou por mera infelicidade de atender ao telefone justamente na hora que a criatura procura pela sua pessoa.

Nesse tempo de “análise”, dividi-os em três categorias:
1ª – cobradores: ligam pra você, se possível, todos os dias da semana – inclusive os dias “inúteis” (sábado e domingo) - pra te lembrar que tem alguma conta a acertar com a empresa, porém, não deixam de apresentar as alternativas de pagamento a 50% de juros ao mês; estes pertencem à classe dos sérios e mal humorados.
2ª – propagandistas: ligam quando você mais quer descansar, geralmente depois do almoço, tentando de qualquer jeito fazer com que compre os produtos que você não tem a mínima vontade de adquirir, mostrando-lhe promoções e mais promoções; esses já são muito bem humorados e simpáticos.
3ª – atendentes de reclamações: antes de ter o “privilégio” de falar com algum deles, sempre tem um robô com voz de gente falando pra teclar os números conforme a opção desejada, o que já te deixa “puto da vida”. Depois de dez minutos, algum individuo atende demonstrando uma paciência incalculável, tentando te deixar o mais calmo possível. Mas apesar disso, sempre te enrola e acaba adiando o que você precisa pra ontem; estes dependem do seu humor: se você for chato eles respondem à altura; se for adorável, te tratam como gente importante. Mas isso não é regra.

Um dia desses um me ligou para fazer propaganda de uma nova opção de banda larga. Essa consistia em um desconto por não sei quantos meses e alguns benefícios. Eu não queria de jeito nenhum, mas a pessoa me encheu tanto que eu comecei a pensar na hipótese de aderir à promoção. O infeliz me convenceu, me fez convencer o meu irmão, e no final assinamos o plano. Agora veja como essas criaturas não são perversas: tomam boa parte do nosso tempo, fazem-nos comprar coisas que mal passam pela nossa cabeça, e como se não bastasse, ligam todos os dias para saber a sua resposta. Mesmo sem aprovar o tipo de trabalho deles, este de tentar fazer com que a pessoa mudem de idéia a todo custo (imposto pelos seus patrões), aprecio o poder de argumentação que eles têm, o de conseguir mostrar ao cliente que o produto deles é de fato o melhor. Disso tudo eu cheguei a uma conclusão: eles são quase invencíveis.



obs: não quero que pensem que estou desmerecendo o trabalho alheio. Apenas fiz essas refêrencias como introdução de um fato que aconteceu comigo!

sexta-feira, 31 de agosto de 2007

Viver é melhor que sonhar

Numa terça ou quinta-feira dessas, ao conversar com dois amigos sobre o acidente da TAM, vieram algumas coisas em minha mente, e como de costume, não poderia deixar de escrever um texto. Foi no mesmo dia em que saiu no jornal a comunicação entre os comandantes do avião na hora do acidente. Conversávamos sobre como deve ter sido o sofrimento daqueles homens ao saber que iam morrer e como foi a dor dos familiares que receberam a notícia que seus entes encontravam-se naquele voo. Foi um diálogo de poucos minutos, mas muito produtivo. Não sei pra eles, mas este me fez rever alguns conceitos, principalmente sobre a vida, ou melhor, o termino da vida.



Sabemos que o ser humano é o único animal que sabe a morte é inevitável. Alguns acreditam que após ela iremos para o céu ou inferno, outros acham que nossa alma, mesmo após o óbito do corpo, continua entre os vivo. Mas não quero me dar o luxo de discutir assuntos sobre crença e religião. Enfim, sabemos também que muitos dão valor à vida e outros a tratam com muito desleixo, gozando-a de forma desvairada. Há também os avarentos que buscam incessantemente os bens materiais, não os dividem com os mais necessitados e morrem deixando-os com ninguém, e por ai vai.

Nunca tive a tristeza de perder alguém muito próximo, mas a dor deve ser tão forte que mal consigo me colocar no lugar daqueles parentes que escutavam apreensivos o comunicado. Também já vi muitos amigos sofrendo por conta do falecimento do pai ou da mãe. Alguns deles, após o ocorrido, disseram: poderia ter aproveitado mais, ter brigado menos, dado mais atenção a eles. Muitas vezes eu também ajo com aversão às ordens que meus pais me impõem, esquecendo que querem o meu bem; aquela rebeldia característica de um adolescente de dezoito anos de idade. Mas sempre acabo pedindo desculpas, porem, após alguns dias, as discórdias vem à tona e o ciclo continua. Não sei você, mas a maioria prefere sempre bater de frente, deixa de assumir o erro e fica sempre aquele clima chato. Nunca há uma recíproca de entendimento entre os filhos e seus pais. Parece regra.

Pra mim, a atuação dos pais e da família é muito importante e indispensável para a formação da pessoa. Talvez por isso não consiga entender como tem gente que é capaz de largá-los em um hospital; “internar” em um asilo a mãe que o carregou nove meses no útero ou o pai que deu toda a assistência possível durante toda sua vida, e pior, matá-los para herdar algum bem material. Isso é repugnante.

Pois bem, esse comentário foi escrito apenas com a intenção de passar a seguinte mensagem pra vocês: não perca a chance de demonstrar afeto às pessoas que gosta. Diga todos os dias pros seus pais que os amam, dê mais atenção e carinho a eles, porque, um dia ou outro, eles não estarão mais por perto. E outra coisa, se você não acredita em Deus, pelo menos, tenha sempre o pensamento positivo, ajude os mais necessitados e seja sempre honesto, com os outros e consigo mesmo.

sábado, 4 de agosto de 2007

Patriotismo?

Esse Pan-americano que ocorreu mês passado no Rio de Janeiro me fez pensar em um assunto que vem me perturbando há algum tempo: o fato da maioria dos brasileiros mostrarem-se patriotas apenas em alguns eventos “irrelevantes” e, principalmente, esportivos.

Quase todo jogo da seleção (em que estão ganhando) ouve-se da torcida a seguinte frase: “Eu sou brasileiro com muito orgulho, com muito amor”. Confesso que algumas vezes não consegui me livrar deste hino. Cantei, chorei e gritei como você, que está lendo este texto agora, presumo eu. Mas o problema não é a frase em si, é como essas palavras são ditas da boca pra fora. O problema não é ter orgulho de ser brasileiro, é como esse sentimento se vai quando os torcedores saem do estádio ou desligam a TV.


O que eu quero colocar em discussão não é o fato de o povo torcer ou não para equipes esportivas que representam a nossa nação. Quero, com estas palavras, mostrar para os leitores deste texto, que nosso sentimento patriota está longe de ser ideal para que possamos fazer uma mudança política ou de qualquer outra natureza no país, isso se você estiver interessado em alguma. Se não pintarmos os nossos rostos e irmos à rua protestar sobre nossos direitos quanto cidadãos, nada irá mudar. Você quer ter mais segurança? Você quer que o Brasil tenha uma melhor qualidade de ensino? Você quer viajar de avião e ter a garantia que chegará seguro? Não é indo no jogo da seleção e gritando a frase citada que você irá alterar alguma coisa. Não que você não deva ir ao jogo, mas, pelo menos, leve aquele sentimento de amor à pátria sempre contigo.

Sobre esse assunto, minha opinião é a seguinte: ser brasileiro não é apenas torcer pela seleção, para o Ronaldinho ganhar mais um titulo de melhor jogador de futebol do mundo ou para a Gisele Bündchen voltar ao posto de mulher mais linda do universo. Ser brasileiro é votar no melhor candidato e não no menos pior. Ser brasileiro é mandar e-mails para seu deputado cobrando-o sobre o que prometeu e não cumpriu até agora. Ser brasileiro é, principalmente, sair de casa com o compromisso de fazer sua parte para que nosso país torne-se cada vez melhor.

quarta-feira, 27 de junho de 2007

Juventude do Século XXI

Bolinha de gude, pipa e futebol para os meninos; boneca, comidinha e maquiagem para as meninas; isso quando não se juntavam pra brincar de casinha. Quem já foi criança lembra muito bem dessa época em que a vida consistia em travessuras e diversão. Apesar dessas brincadeiras há muito tempo fazerem parte da rotina infantil, elas vêm perdendo território para novas atividades, principalmente as ligadas à tecnologia.

Primeiro foram os mini-games, depois os vídeo-games; ai vieram os computadores, celulares, mp3 e uma infinidade de outros aparelhos. Trouxeram com eles uma nova forma de distração para pessoas de todas as idades, entre elas as crianças. É aí que mora o perigo. Se nos adultos a utilização exagerada desses produtos já causa dezenas prejuízos e uma dependência sem limites, imagine nos mais jovens.


É crescente o numero de crianças enfiadas em lan houses e casa de jogos eletrônicos. Eles poderiam estar fazendo algo que realmente traga para eles algum bem positivo que não seja o vicio ou até mesmo o sedentarismo, pela falta de outras atividades.

Pois bem, falando-se em mudanças comportamentais, a cada ano que passa, é fácil perceber o quanto a juventude tem mudado sua relação com pessoas mais velhas; aquele respeito que existia antes, já não se vê mais nos dias de hoje. Isso pode ser uma das conseqüências dessa “revolução” que vem acontecendo, não a tecnológica, mas as mudanças num âmbito geral.

Uma vez estava no clube em que jogava basquete um garoto de uns 10 anos de idade recusava-se a começar suas atividades físicas, corrida no caso, apenas pelo fato de ter esquecido seu Ypod em casa. Ligava a cada minuto para seu pai trazer logo, pois sem o aparelho não iria sair do lugar. Lembro como se fosse hoje, aquele menino gritando no celular: - Se não trouxer logo eu não vou me levantar!"

Aquilo me deixou muito espantado. Poxa, naquela idade se eu falasse com meu pai daquele jeito no mínimo eu iria tomar uma bela duma bronca e iria ficar de castigo. Mas o que me deixou mais embasbacado ainda foi o pai do menino chegando CORRENDO para entregar o seu Mp3. Aí eu pensei comigo: Pois é, acho que eu estou ficando velho mesmo!

É uma pena ver os nossos irmãos, sobrinhos e primos crescendo sem ter a oportunidade de ser crianças de verdade. Tão jovens e já “escravos” desse mundo onde não tem tempo ao menos de se conhecerem, tamanha é a quantidade de informações e novidades que aparecem todos os dias. Se hoje já esta assim, como será a época dos nossos filhos? Imagine-se chegando do trabalho e seu filho de cinco anos de idade com o lápis e a caneta guardados na bolsa, sentado na frente do computador e conversando no MSN. Desesperador!

terça-feira, 19 de junho de 2007

Os políticos e suas “Leis de Perfumaria”

Sabe-se que criar leis para o bem-estar da cidade é um ato indiscutivelmente positivo. Mas o nosso querido prefeito de São Paulo, o Sr. Gilberto Kassab, usa e abusa delas. Ai vão algumas:
- limpeza visual: proíbe a utilização de outdoors e outros tipos de anúncios publicitários nas ruas e em imóveis da cidade;
- limpeza das calçadas: todas as calçadas da cidade terão que estar adequadamente pintadas da seguinte forma: cor branca e natural de cimento alternadas;
- lei das vitrines: é obrigatório que todas as mercadorias expostas nas vitrines de estabelecimentos comerciais tenham preço visível.

Tudo bem, não são leis tão ridículas assim. Ter a cidade limpa e bonita é extremamente agradável para pedestres, motoristas e todos que diariamente andam pelas ruas. Mas existem prioridades. Fatos como a violência, educação e saúde – que precisam ser resolvidas o mais rápido possível - não podem ser substituídas por esse tipo de “futilidade legislativa”.

Posições desse tipo são para países de primeiro mundo como a Dinamarca que tem média de dois assassinatos por ano; sua população vive em ótimas condições de vida e não tem mais o que arrumar. Mas aqui no Brasil, onde a guerra civil e a hostilidade estão por todo canto; gente morrendo de fome; desemprego exacerbado em todos os Estados, não tem a mina possibilidade de se preocupar com tais medidas. Pra falar a verdade, acho que essas leis que o Kassab vem tentado implantar são aquelas de quando ele tinha 10 anos de idade e pensava: quando eu crescer quero acabar com todas as imagens da Vila Césamo, a começar pelos outdoors; ou: o cara da prefeitura nunca passa para pintar minha calçada; ou mesmo: nunca da para saber o preço do Batman sem perguntar ao vendedor.




Além disso, nosso prefeito é um cara muito sensível. Certo dia ao ser questionado por um homem na inauguração de um hospital do SUS (Sistema Único de Saúde) em relação à lei municipal que proíbe a utilização de propagandas publicitárias citadas acima, deu um show! Chamou o cidadão – que deve trabalhar muito mais que ele – de vagabundo e ainda o expulsou do posto de saúde. Imagino o que deve ter passado na cabeça daquele cidadão quando escutou o “prefeitinho” falar que as condições dos hospitais paulistas estavam totalmente em ordem. Lastimável!

Tem gente que fala que política não se discute, que o país é uma merda, que não tem solução, por ai vai. Somos um povo acomodado, nos contentamos com pouco. Com a rua mal asfaltada, com o "SUPER" crescimento da economia. Atrás da vista grossa está tudo errado; dinheiro de pontes que ligam o nada a lugar nenhum sendo desviado; o cara do bairro ao lado roubando uma caixa de leite pra dar aos seus filhos e pegando uma pena de dois anos, enquanto os Sanguessugas, quase todos, roubaram tudo o que puderam e hoje estão fazendo compra nos Jardins. Aí me vem um senhorzinho dizer que a poluição visual incomoda. O que incomoda é o descaso que os governantes têm em relação aos brasileiros, principalmente aos pobres.

Se for ficar apontando os erros do governo, vou precisar reescrever a Bíblia. A atitude do Kassab é apenas uma das dezenas, se não centenas de medidas e leis que realmente me deixam bem impetuoso. Depois desse desabafo, vou concluir com um trecho de uma musica do Gabriel O Pensador que se chama Pega Ladrão:

“E você que é um simples mortal, levando uma vidinha legal.
Alguém já te pediu um real?
Alguém já te assaltou no sinal?
Você acha que as coisas vão mal?
Ou você tá satisfeito?
Você acha que isso é tudo normal?
Você acha que o país não tem jeito?
Aqui não tem terremoto, aqui não tem vulcão.
Aqui tem tempo bom, aqui tem muito chão.
Aqui tem gente boa, aqui tem gente honesta; mas no poder é que tem gente que não presta"



Este aí é o vídeo em que o prefeito de São Paulo – Gilberto Kassab – expulsa o cidadão do hospital!

sábado, 16 de junho de 2007

As vozes a uma só nota

Nesse final de semana, dias 9 e 10 de Junho, tive a oportunidade de ir ao Rio de Janeiro com meu amigo Gabriel Mendes para assistir o ultimo show da banda Los Hermanos antes de seu recesso por tempo indeterminado. Por um lado estava muito empolgado por ser o primeiro show que iria da banda, talvez o ultimo. Por outro receava em relação à qualidade da apresentação e pela guerra civil que passa aquele estado.

Pois bem, dúvidas a parte, fui de “mala e cuia”. Chegando à cidade, ainda na estrada, reparei como a pobreza predomina naquele lugar; periferias e favelas por toda parte, não muito diferente de alguns bairros de São Paulo, mas numa proporção muito maior, já que o Rio tem um espaço inferior. No centro da cidade há dezenas de imóveis históricos, alguns, aparentemente, com mais de cem anos. A maioria com a seguinte característica em comum: o abandono.

Não quero que pensem que estou criticando ou desmerecendo o Rio de Janeiro. Lógico que a cidade é rica em beleza, praias maravilhosas, vistas deslumbrantes que infelizmente ainda não tive a oportunidade de conhecer. Estou apenas falando como é o lado de traz do Corcovado, onde a Globo evita mostrar. Alem disso não posso deixar de citar a hospitalidade do povo carioca; todos prestativos, simpáticos e solidários. Isso é incontestável.

Apesar dos comentários feitos sobre a cidade, quero mesmo é falar sobre o show. E que show!
Levados pela duvida sobre o término da banda, pessoas de todas as regiões do país lotaram a casa Fundição Progresso na Lapa, centro do Rio, para assistir os Hermanos tocarem.

Quatro horas antes do inicio, cheguei com o Gabriel para retirar os ingressos na bilheteria. Naquele momento dezenas de pessoas já estavam na fila cantando e dançando as musicas da banda. Uma verdadeira confraternização. Ao esperar os portões serem abertos, conhecemos pessoas de Minas Gerais, Santa Catarina, Pernambuco, São Paulo e do próprio Rio. Conversávamos com se já havíamos nos conhecido há tempos.

Enquanto falava com essas pessoas, refleti um minuto sobre o poder que a música tem de unir povos de credo, cor e ideologias distintas. Apenas pelo gosto musical em comum, todos aqueles jovens que ali estavam, criaram um vinculo de amizade e união. São atitudes aparentemente insignificantes que passam despercebidas como o vento. Agora, a partir desse pensamento e indo para o contexto social, fiz-me uma pergunta: Por que vivemos em guerra? A resposta veio a seguir: Porque primeiro procuramos as diferenças e omitimos todo o resto. Pois é, nesse mundo de discordâncias é que vivemos.

Duas horas depois, os portões se abriram, a platéia entrou. Muitos correndo, outros mais contidos, porém não escondiam a felicidade por estar ali. Foram mais duas horas de apreensão dentro da casa até que os músicos subiram ao ponto mais alto. Quietos, como se estivessem se despedindo de sua família. Mesmo assim os fãs aplaudiam e gritavam incessantemente.

Começaram o show com uma musica bem calma, quase imperceptível perante a euforia dos que cantavam e se emocionavam com os acordes tocados. As cinco mil vozes e corações agitavam-se sem nenhum controle. Aqueles que haviam subido ao palco contidos, agora se pegam sorrindo e dançando - mesmo “desengonsadamente” - com os espectadores. Em alguns momentos mal dava pra escutar a voz do Marcelo Camelo ou do Amarante tamanho era o volume das vozes da platéia. No final do show os Hermanos apresentaram todos que estiveram com eles durante esses dez anos de carreira. Foi um show emocionante, dificilmente assistirei outro melhor.

Tive a idéia de escrever esse texto com a intenção de mostrar para os leitores uma experiência maravilhosa que tive e principalmente mostra-los como coisas pequenas, no caso a musica, podem unir as pessoas que ao menos se conhecem. A partir desses atos aparentemente insignificantes, podemos promover a paz e unirmos para um mundo melhor.